Em Direção à Democratização dos Meios de Monetização

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Este artigo foi publicado originalmente por Michel Bauwens no link a seguir;

Towards the Democratization of the Means of Monetization.

Todo o crédito do artigo é reservado à ele e, até então, a tradução tem sido feita apenas por mim. Toda sugestão é bem vinda e qualquer comentário sobre a tradução também.

A PROBLEMÁTICA: A CRISE DE VALOR

No século 19, as forças contra-hegemônicas de trabalho concentraram na democratização do estado assim como focaram na redistribuição do valor excedente criado pelo trabalho. Ambas tarefas são de maneira alguma obsoletas dada a evolução em direção à modelos de estado mercado os quais tem esvaziado a democracia popular, assim como o papel aumentado do débito em exploração humana1. Entretanto, o que é preciso em adição, para e por movimentos sociais do século 21, é a democratização dos meios de monetização. Em uma economia contributiva, valor de uso se torna chave, e enfraquece mecanismos baseados apenas em valor de trabalho; valor precisa então se tornar plurarístico e diverso, e também precisam os meios monetários; enquanto indubitávelmente, desmonetização será uma coisa boa em muitos setores sob o regime de dominação civíl, nós também vamos precisar de novas formas de monetização, e restaurar o ciclo de retroalimentação entre a criação de valor e a captura de valor. Assim como vamos discutir, o regime de valor atual, o qual nós chamamos 'capitalismo cognitivo sob a emergência do capitalismo netárquico' (ver infra), é incapaz de redistribuir valor de maneira justa, e está criando não apenas uma crise de reprodução social para pessoas trabalhadoras, mas também uma crise de acumulação de capital. Em nosso artigo, regimes de valor e de dinheiro são colocados no contexto da evolução da economia política geral em direção à uma crescente importância de modelos baseados em produção colaborativa (em pares). Nós vamos olhar para qual tipo de sistema social e política de transição, que pode resolver essa crise de valor.

INTRODUÇÃO

Nós acreditamos que existam três modelos de valor concorrentes competindo pela dominância dentro da economia política atual. Uma forma ainda é dominante, mas declina rapidamente em importância; a segunda forma está alcançando dominância, mas carrega em si as sementes de sua própria destruição; a terceira está emergindo, mas precisa novas políticas vitaisi para se tornar dominante. Cada modelo é associado com formas específicas de dominância de moeda.

A primeira forma é forma clássica de capitalismo cognitivo, baseado em um capitalismo rentista que extrai aluguel da Propriedade Intelectual, e na qual capital financeiro domina. Uma boa descrição desta forma é Hacker Manifesto de McKenzie Wark2, no qual ele descreve a lógica do capitalismo vetorial, onde os ‘vetores’ de comunicação estão nas mãos da mídia de massa. Esta primeira forma de capitalismo cognitivo era dominante na primeira era de computação, onde as redes estavam exclusivamente nas mãos das companhias multinacionais e canais públicos centralizados. A segunda era de computação em rede massiva, nascida com a internet, enfraqueceu o controle da classe vetorial, e criou a nova classe de controladores, o do capitalismo netárquico, o tipo de investimento de capital que controla plataformas de mídia social proprietárias, mas que possibilitam comunicação par-a-par entre indivíduos.

A segunda forma é então a de capitalismo netárquico, onde o capital não controla mais a produção direta de informação e comunicação, mas extrai valor através de seu novo papel como plataforma intermediária. Esse modelo depende muito mais marginalmente em proteção de IP, mas ainda permite comunicação p2p mas controla sua possível monetização através do papel e da posse das plataformas para tal comunicação. Tipicamente, assim como em mídia social proprietária como Facebook ou Google, a front end é par-a-par, i.e. ela permite socialidade p2p, mas o back end é controlado, o design está nas mãos dos donos, assim como as informações pessoais dos usuários, e é a atenção da base de usuários que é vendida pelas propagandas. A financialização da cooperação ainda é o nome do jogo. Esta forma é entretanto uma forma híbrida, porque ela também permite crescimento adicional de socialidade p2p na qual a troca e produção de mídia está disponível amplamente para uma cada vez maior base de usuários. Esta forma então co-existe com múltiplas formas de produção e troca p2p de raiz, e vê por exemplo a emergência de mais diversidade monetária, na forma de moedas complementares ou dirigidas-em-comunidade mais localizadas que atuam como, e de uma cripto-moeda mundial reservada como Bitcoin, uma moeda sombra que é útil como uma moeda pós-Ocidental.. (westphalian) mas ao mesmo tempo exibe aspectos de capitalismo financial de uma maneira exacerbada. O capitalismo cognitivo sofre de uma severa ‘crise de valor’, na qual a lógica do valor de uso emerge fortemente e cresce exponencialmente, mas de uma forma desmonetizada. O valor monetizado restante apoia-se em avaliação especulativa de criação de valor cooperativo por mercados financiais.

A terceira é a hipotética forma para qual nós acreditamos nós podemos transitar com sucesso, se nós sucedermos em reconstruir os movimentos sociais transformativos, e assim suceder também em transformar o estado para que ele possa agir como um Estado Parceiro que facilita a criação de novas infraestruturas civis. Esta mudança é necessária porque a contradição entre os modos emergentes de produção em pares são incompatíveis com a existência continuada das relações de produção presentes. Nesta fase hipotética de ‘produção em pares maturada’, a ‘crise de valor’ que afeta o capitalismo cognitivo foi resolvido, e um novo ecossistema de moedas sociais tem emergido, junto com novas formas de redistribuição de valor.

O SEGUNDO MODELO: O MODELO MISTO DE CAPITALISMO COGNITIVO NEO-FEUDAL

O período desde os 1990s, quando as inter-redes civís se tornaram crescentemente disponíveis para a maior população, e produção em pares baseada em commons, e outras formas de criação de valor em rede se tornaram possíveis, viram o nascimento de um regime misto. Através das diferentes formas de produção em pares e criação de valor em rede, valor de uso é crescentemente criado independentemente da indústria privada e do sistema financial, e toma lugar através da forma contributiva cívil, onde valor de uso imaterial é depositado em dimensões comuns de conhecimento, código e design.

Em produção em pares ‘pura’, que nós podemos chamar de uma forma de ‘distribuição agregada’ de trabalho, contribuidores, voluntários ou pagos, contribuem para uma dimensão comum onde o valor imaterial é depositado; associações por-benefício, como as Fundações FLOSS, possibilitam ocorrer cooperação continuada; e coalizões empreendedoras de, principalmente, empresas capitalistas por-lucro, capturam o valor adicionado no mercado. Neste modelo, embora haja criação continuada de valor de uso no commons, e assim, uma acumulação do commons baseado em um input aberto, processos participatórios de produção, e output orientado ao commons que está disponível para todos os usuários; acumulação de capital continua através da forma de trabalho e capital nas coalizões empreendedoras. Mas um crescente montante de trabalho voluntário é extraído no processo. Na forma de compartilhamento de valor em rede, caracterizada por mídia social/networking acontecendo nas plataformas proprietárias, o valor de uso é criado pelos usuários da mídia social, mas sua atenção é o que cria o mercado onde aquele valor de uso se torna valor de troca extraído. Na dimensão do valor de troca, esta nova forma de ‘capitalismo netárquico’ (as hierarquias da rede) pode ser interpretada como hiper-exploração, uma vez que os criados do valor de uso são totalmente desrecompensados em termos de valor de troca, o qual é individulamente realizado pelas plataformas proprietárias. Finalmente, na forma de mercados crowdsourced, que nós chamamos ‘distribuição desagregada’ porque os trabalhadores são freelancers isolados competindo sem IP compartilhado coletivo, capital abandona a forma de trabalho e externaliza risco nos freelancers. De acordo com pesquisa preliminar pelo pesquisador Trebor Scholz da ‘digital labor’, comunicada oralmente, o salário por hora médio não ultrapassa 2 dólares, que é muito abaixo do salário mínimo dos EUA. Um exemplo típico é o mercado de habilidades TaskRabbitt, onde trabalhadores não podem se comunicar entre si, mas clientes podem.

Sob o regime do capitalismo cognitivo, criação de valor de uso expande exponencialmente, mas valor de troca apenas cresce linearmente, e é quase exclusivamente realizado pelo capital, iniciando formas de hiper-exploração. Nós argumentaríamos que isso cria uma forma de hiper-neoliberalismo. Enquanto no neoliberalismo clássico, renda do trabalho estagna, no hiper-neoliberalismo, sociedade é desproletarizada, i.e. trabalho salariado é crescentemente substituido por freelancers isolados e em geral precários; mais valor de uso escapa a forma de trabalho por completo.

Sob o regime misto de capitalismo cognitivo em sua forma netárquica, produção de valor em rede cresce, e tem muitos efeitos emancipatórios no campo social da criação de valor de uso, mas isto está em contradição com o campo de realização de valor de troca, onde ocorre hiper-exploração. Isto é o que nós significamos quando nós falamos que existe uma contradição crescente entre o proto-modo de produção que é produção em par, e formas associadas de criação de valor em rede; e as relações de produção, que continuam sob a dominação do capital financial.

Nesta nova forma híbrida, um setor do capital, capitalismo netárquico, tem liberado a si mesmo até um grau significante da necessidade de formas proprietárias de conhecimento, mas isso tem na verdade aumentado o nível de extração de valor de excedente. Ao mesmo tempo, valor de uso escapa mais e mais sua dependência em capital. Esta forma de hiper-neoliberalismo cria a crise de valor. Primeiro, a parte de trabalho mediado por troca-valor, diminui comparada com o papel de criação de valor de uso direta, tornando capital crescentemente superficial e parasita; segundo, as formas de criação de valor explodem, mas a dependência continuada em valor de troca monetizado não permite a realização daquele valor pelos produtores de valor de uso; lucros na economia industrial, diminuem também, tornando o setor financial e sua dependência em aluguel de IP, o poder crescentemente dominante, ao mesmo tempo, o poder de extração de aluguel de IP é enfraquecido pela criação de valor de uso direto. Em todo caso, todas essas tendências criam uma crise para a acumulação de capital; o ciclo de feedback entre a criação de valor de uso, e a captura de valor de troca, idealmente redistribuidos tanto como salários ou através de pagamentos sociais, é quebrado; super-dependência em débito (dívida) gera aluguel aberto (moot) massivo como uma solução. Capital se torna mais dependente na externalidades da cooperação social, ainda assim falha em recompensa-lo. Capitalismo financial percebe o valor da cooperação social através de mecanismos especulativos que aumentam a quantidade de capital fictício no sistema (o capital fictício é na verdade o valor de usoo não-realizado que não é mais recomempensado por causa da crise de valor). Essses assuntos correlatos são examinados em profundidade por Adam Arvidsson e Nicolai Peitersen em seu livro sobre a Economia Ética.

Nós poderíamos chamar esse regime de valor neo-feudal, porque ele depende crescentemente no ‘corvee’ não-pago e cria servidão de débito (dívida) generalizada. Finalmente, posse é substituído por acesso, diminuindo a soberania que vem com propriedade ,e criando dependências através de acordos de licenciamento unilaterais na esfera digital.

Entretando, este regime é também claramente um regime misto, que vê o nascimento de modalidades de produção em pares em todas as esferas da vida, incluindo a de criação de moeda, ou em outras palavras, a ‘produção em pares de dinheiro’. Esta fase da ‘crise de valor’ é caracterizada por um aumento na diversidade monetária. Por outro lado, comunidades locais e outras que são afetadas pelo desequilibrio global e pela extração de valor de suas comunidades, tentam criar novo tipo de moedas locais defensivas, que protejem a fluição local de valor. Estas moedas complementares vêm em diferentes formas e podem as vezes ser quite sucedidas, mas não estão disponíveis para praticar o papel de moeda reserva global ou contra-poder contra um sistema financial global desregulado.

Moedas complementares como LETS ou Timebanks aumentam exponencialmente suas presenças locais mas permanecem uma pequena parte do sistema financial como um todo. Ao mesmo tempo, moedas regionais mais ambiciosas são criadas, como o Regiogeld na Alemanha, e moedas business-business, modelados a partir do Swiss WIR. Tais iniciativas são encaradas frequentemente com autoridades públicas hostís, maior parte do tempo não são apoiadas por corpos públicos neutros que toleram sua existência, mas as vezes podem contar com autoridades locais simpáticas. Exepcionalmente, em outros países, como Brasil, elas são capazes e protegidas através de política nacional e até do banco central.

Este período também vê a emergência de uma moeda reserva global como Bitcoin, que francamente visa criar uma contra-força global ambos sistema financial global clássico e moedas baseadas no Estado.. Bitcoin é extremamente importante como um sinal (signpost) uma vez que é a primeira moeda global ‘pós-Ocidentalphalian’, baseada na ‘soberania social’, e isto mostra que moedas alternativas podem escalar e podem existir como uma alternativa funcional. Ao mesmo tempo, o design anarco-capitalista da moeda baseada na economia Austríaca, de muitas maneiras exacerba as características da era neoliberal. Como uma moeda comodite sombra, embora útil como uma moeda reserva que pode existir fora do controle de estados-nações, ela também exacerba as próprias inequalidades sociais que são tão características do capitalismo financial. Ela oferece nenhuma solução fundamental para a crise de valor que afeta o sistema global de capitalismo cognitivo mas é um sistema monetário transicional interessante que age como um sinal (signpost) para o futuro. Ao invés de como um fim, nós vemos Bitcoin como o começo de uma evolução em direção à múltiplas criptomoedas, algumas das quais vão intergrar diferentes valores sociais em seus protocólos.

O TERCEIRO MODELO: PRODUÇÃO EM PARES MADURA SOB DOMINÂNCIA CIVÍL (EM DIREÇÃO À UMA ECONOMIA DE CONHECIMENTO SOCIAL)

Desde que o modelo misto parece criar contradições untenable, ele se torna necessário para imaginar a transição para um modelo onde as relações de produção não estão em contradição com a evolução do modo de produção. Isto significa um sistema de economia política que seria baseado no reconhecimento, e recomensa, da lógica contributiva que trabalha na produção em pares commons-oriented.

Se nós olharmos em um micro-nível, nós recomendamos a intermediação da acumulação cooperativa. Na economia de software livre de hoje, licenças abertas possibilitam a lógica do commons, ou ainda tecnicamente, ‘comunismo’ (cada um contribui o que ele/ela pode, cada um usa o que precisa), mas criou um paradoxo: ‘quanto mais comunista a licença, mais capitalista a economia’, uma vez que isto permite especificamente grandes empresas for-profit realizarem o valor do commons na esfera de acumulação de capital. Assim, ironicamente, o crescimento do ‘comunismo do capital’.

Nós propomos substituir as licenças ‘comunistas’ não-recíprocas, com licenças socialistas, i.e. baseadas no requerimento da reciprocidade. Assim, o uso de uma licença de procução em pares, requeriria a contribuição para o commons pelo seu uso livre, pelo menos de companhias for-profit, para criar uma corrente de valor de troca para os próprios produtores em pares / commoners; em adição, commoners criariam suas próprias entidades de mercado, criado valor de mercado adicionado, realizariam o valor de excedente eles mesmos, e criariam a economia ética ao redor do commons, onde o valor da produção de bens rivais seria realizado. Tais coalições empreendedoras éticas provavelmente possibilitariam book acounting aberto e cadeias de fornecedores abertas, que coordenariam a economia fora das esferas ambas de planejamento e de mercado. As coalições empreendedoras éticas poderiam expandir a esfera dos commons pelo uso das ventures commons, tais como no modelo ‘comunista venture’ proposto por Dmytri Kleiner. Neste modelo, cooperativas precisando de capital poderiam float a bond que permitiria a compra de meios de produção. Mas estes meios de produção pertenceriam ao commons; em outras palavras, as máquinas seriam alugadas para o pool common, mas este aluguel também seria redistribuído para todos os membros do commons. Nesta forma econômia binária, os cooperadores-commoners receberiam ambos um salário de sua cooperativa, mas também uma parte crescente do aluguel comum (common). (Em adição, todos os cidadãos se beneficiariam da renda básica provida pelo Estado Parceiro). Tais coalições empreendedoras, intrinsicamente em solidariedade com seus commons, também poderiam caminhar à práticas tais como contabilidade e logística aberta, que permitiriam uma coordenação mútua generalizada (widespread) de suas capacidades produtivas, assim ushering um novo terceiro modelo de alocação que não seria nem um mercado, nem um sistema de planejamento, mas um sistema de coordenação estigmérgico (stigmergic). Em outras palavras, a coordenação estigmérgica já operante na esfera de produção ‘imaterial’, seria gradualmente transferida para a esfera de produção ‘material’. Na medida que tais sistemas estigmérgicos criarem a possibilidade de modelos de economias baseada em recursos, tals esferas da economia seria gradualmente desmonetizadas e substituídas por sistemas de mensuramento (i.e. moedas comodities com sistemas de ‘loja de valor’ gradualmente desapareceriam). Entretanto, tais mudanças no nível de micro-economia não sobreviveriam um mercado e estado capitalistas hostís sem mudanças necessárias no nível macro-economico, por isso a necessidade de propostas de transição, carregados por um movimento social resurgente que embraces a nova criação de valor através do commons, e se torna a expressão popular e política da classe social emergente de produtores e commoners em pares, mas aliados com as forças representando ambos trabalhos salariados e cooperativos, empreendedores independentes commons-friendly, e trabalhadores agriculturais e de serviço.

Nós sugerimos em outro lugar (elsewhere) a criação de alianças civís do commmons, e câmaras de empresas commons, para criar uma contra-hegemonia local, que nós chamamos para uma aliança política do commons constistindo em movimentos de produção em pares (como os Partidos Piratas), forças aliadas aos commons naturais (os Greens), a esquerda transformativa e liberais sociais aliados a empreendedores progressivos. Em termos de moeda, tal sistema veria a maturidade da biodiversidade monetária regulada por um Estado Parceiro assim como por modelos de governança globalmente em rede (networked) que são difíceis de prever neste estágio. Neste modelo, moedas comunitárias locais e regionais, co-existiriam com créditos commons business a business que regulam troca entre as coalições empreendedoras baseadas em commons; uma vez que nós advogamos uma globalização de tais cooperativas de produção na forma de ‘phyles’ (como proposto por lasindias.net), i.e. sendo a expressão de coalições globais de empresas apoiadoras de comunidades e commons, essas moedas B2B escalariam em uma base global, como Bitcoin faz hoje; todas estas moedas existiriam em adição ao papel continuado de uma moeda pública administrada por Estados Parceiros. O uso continuado de tais moedas é vital para possibilitar políticas públicas controladas democráticamente; Em adição existiria um novo tipo de moeda reserva global administrada democráticamente, por exemplo uma ligada ao uso de energia, para proteger o equilíbrio ecológico global do sistema de produção global. Estas propostas são muito próximas do modelo integrativo proposto por Bernard Lietaer.

Tal sistema também precisaria de novas formas de ‘contabilidade contributiva’ ou ‘sistemas de contabilidade aberta’. Uma vez que o novo sistema de produção seria amplamente organizado ao redor do commons contributivo, os meios de distribuição e troca não podem mais ser apenas representados por salários e trabalho salariado. Como no sistema pioneirado (pioneered) pela comunidade hardware sensor aberta Sensorica, sistemas de contabilidade de valor abertos permitiriam contribuidores registrar suas contribuições, para ser revisadas em pares pelos seus colegas, e uma charter social regularia a redistribuição post-hoc do valor que era co-criado pelos contributores. Estas contribuições remanesceriam des-comodificadas, mas a promessa da distribuição de valor justa preludiria (would preclude) qualquer exploração de trabalho grátis (free).

PARA CONCLUIR:

- Na raiz do novo sistema estariam commons civís contributivos onde a acumulação de valor de conhecimento/código/design tomaria lugar, e todos podem beneficiar do valor de uso; assim a sociedade civíl tem se tornado produtiva no provisionamento (provisioning) do valor de uso e costiste em uma série de commons interdependentes; a infraestrutura de cooperação é administrada por associações democraticamente estabelecidas (run) para benefícios (for-benefit).

- Cercando a nova sociedade civíl baseada em commons estão as coalições empreendedoras ‘éticas’; assim o mercado capitalista privado é transformando em uma esfera de mercado ético, run na base de princípios de reciprocidade; esta esfera consiste na economia solidária, social e cooperativa aliada com o commons; e empreendimentos privados regulados que co-produzem o commons.

- Possibilitando a convergência commons-cooperativa está o novo modelo de Estado Parceiro que ‘possibilita e empodera a produção social’ através da criação dos bens públicos e infraestruturas cívis necessários, e funciona na sua capacidade de ‘meta-governança’, i.e. ele protege a estabilidade do arranjo macro-econômico entre comunidades contributivas, associações for-benefit, e coalições empreendedoras.

EPÍLOGO: AS CARACTERÍSTICAS DO REGIME P2P TRANSICIONAL

Finalmente, nós outline os diferentes aspectos da transição lógica que deveria informar uma política transformativa em direção a um regime P2P.

1. Características de uma sociedade centrada em torno de produção madura em pares

- Contribuidores civís voluntários e trabalho cooperativo autônomo cria valor codificado através de pools common; trabalho e reskilling civíl ocorre através de manufatura distribuída orientada ao commons que coloca os criadores de valor at the helm da manufatura distribuída e outras formas de criação de valor.

- Contribuidores commons criam entidades de mercado cooperativas orientadas ao commons que sustentam o commons e suas comunidades de contribuidores.

- Entidades de mercado cooperativas e amigáveis ao commons co-criam pools commons mas engajam na acumulação cooperativa on behalf de seus membros; contribuidores commons são codificados em suas estruturais governamentais e legais; Coalições e phyles empreendedora (redes estruturadas de firmas (firms) trabalhando ao redor de pools commons para sustentar comunidades produtoras de commons).

- Coordenação mútua societária de produção através de cadeias de fornecedores abertas direcionam as atividades de mercado.

- As instituição for-benefit habilitadoras de commons (commons-enabling) se tornam uma forma civíl base para a governança de pools commons; as entidades associadas de mercado criam mecanismos solidários e renda para os commoners e produtores em pares, apoiados pelo Estado Parceiro.

- O estado, cominado pelos setores cívil/commons se torna um Estado Parceiro, que cria e sustenta infraestruturas cívis necessárias para possibilitar e empoderar produção social autônoma.

- O estado se torna uma economia ética e moral, orientada ao redor da produção de commons e coordenação mútua, apoiada pelas funções do Estado Parceiro.

- O setor do merdao é dominado por formas de governança e posse cooperativas, orientadas ao commons e legais; as entidades maximizadoras de lucro remanscentes são reformadas para respeitar externalidades sociais e ambientais, incluindo a redistribuição dos benefícios-commons extraídos.

- Mecanismos de governança são reformados em direção à modelos de governança de orientação ao commons e multistakeholer; modelos de posse são reformados de modelos extrativos para generativos. - O modelo do Estado Parceiro renova a provisão do serviço público, mecanismos de solidariedade e social care através da commonificação dos serviços públicos e parcerias público-commons.

- Redistribuição social se dá através de provisões de renda básicas e redução da participação de trabalho necessária para criar condições para contribuições cívis e a economia contriobutória.

2. Características de um Estado Parceiro

- O Estado se torna um Estado Parceiro, que visa possibilitar e empoderar produção social autônoma, que ele também regula no contexto sobre bens common.

- O Estado luta (strives) para maximizar a abertura (openness) e transparência.

- O Estado sistematiza participação, deliberação, e consultas em tempo-real com os cidadãos.

- A lógica social se move de centrado em posse para centrado em cidadão.

- O Estado se desburocratiza através da commonificação dos serviços públicos e parcerias parcerias público-commons.

- Trabalhos em serviço público são considerados como um pool de recursos common e participação é extendida para toda a população.

- Democracia representativa é extendida através de mecanismos participatórios (legislação participatória, budgetting participatório, etc…).

- Democracia representativa é extendida através de mecanismos de deliberação online e offline.

- Democracia representativa é extendida através de votação líquida (consultas e procedimentos democráticos em tempo-real, juntos com mecanismos de votação proxy).

- Taxação de trabalho produtivo, empreendedorismo e investimento ético é minimizado; taxação de produção de bens sociais e ambientais é minimizado; taxação de investimentos especulativos não-produtivos é aumentada; taxação em renda de aluguel improdutivo é aumentada; taxação de externalidades sociais e ambientais negativas é aumentada.

- O Estado sustenta infraestruturas civís orientadas ao commons e jogadores de mercado éticos orientados ao commons.

- O Estado reforma o setor corporativo tradicional para minimizar externalidades sociais e ambientais.

- O Estado engaja em criação monetária pública livre de débito (debt-free) e apoia uma estrutura de moedas complementárias especializadas.

3. Características do setor da Economia Ética

- Criação de uma economia social / ética / cívil / solidária orientada ao commons e ao bem common.

- Jogadores de mercado ético coalesce ao redor commons de conhecimento produtivo, eventualmente usando licenças orientadas ao commons e a produção em pares para apoiar o setor social-economico.

- Jogadores de mercado ético integram assuntos de bem common e usar-driven e worker-driven multistakeholder em seus modelos de governança.

- Jogadores de mercado ético se movem das formas extrativas para generativas de posse; formatos de companhias éticas orientadas ao commons e aberta são privilegiadas.

- Jogadores de mercado ético praticam livros abertos de contabilidad e cadeias de fornecedores abertas para aumentar coordenação de não-mercado de produção.

- Jogadores de mercado ético criam uma rede territorial e setorial de associações da Câmara de Commons para definir suas necessidades e objetivos comuns e interagir (interface) com a sociedade civíl, commoners e o Estado Parceiro.

- Com a ajuda do Estado Parceiro, os jogadores de mercado ético criam estruturas de supoerte para comercialização aberta, que mantém e sustenta o commons.

- Jogadores de mercado ético interconectam com as comunidades produtivas de commons globais (comunidades de design aberto) e com associações produtivas globais (phyles) que projetam poder de mercado ético em uma escala global.

- Os jogadores de mercado ético adotam um salário máximo específico diferencial.

- O setor comercial mainstream é reformado para minimizar as externalidades negativas sociais e ambientais; incentivos são providos que visam uma convergência entre a economia corporativa e solidária.

- Formas econômicas híbridas, como fair trade, empreendedorismo social, B-Corporations são encorajadas a obter tal convergência.

- Microindústrias distribuídas para manufatura (g)localizadas sob demanda são criados e apoiados, para satisfazer as necessidades locais de máquinas e bens comúns.

- Institutos para o suporte de conhecimento produtivo são criados em uma base territorial e setoria.

- Educação é alinhada com a cocriação de conhecimento produtivo em suporte a economia social e ao commons aberto de conhecimento produtivo.

4. Características do setor commons

- Criação de infraestruturas commons para ambos bens materiais e imateriais; sociedade é vista como uma série de commons interligados (interlocking), que são apoiados por uma economia de mercado ética e um Estado Parceiro que protege o bem common e cria infraestruturas apoiadoras cívis.

- Commons locais e setoriais criam alianças civís do commons para interface com a Câmara do Commons e o Estado Parceiro.

- Interligando (interlocking) associações for-benefit (Fundações de Commons de Conhecimento) possibilitam e protegem os vários commons.

- Coops de solidariedade formam parcerias público-commons em aliança com o Estado Parceiro e o setor da Economia Ética representado pela Câmara do Commons.

- Commons naturais são administrados pela parceria público-commons e baseadas na membership cívil nas Commons Trusts.