Difference between revisions of "A Economia Política da Produção entre Pares"

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Mais importante que a relação genérica que acabámos de descrever é o facto de que os processos entre pares também contribuírem para formas mais específicas do capitalismo distribuído. A utilização em larga escala do ''software open-source'' nas empresas, entusiasticamente apoiado pelo capital de risco e grandes companhias de Tis como a IBM, está a gerar uma plataforma de ''software'' distribuído que irá reduzir drasticamente os rendimentos monopolistas desfrutados por companhias como a Microsoft e a Oracle, enquanto que a Skype e o VoIP irão redistribuir drasticamente a infra-estrutura de telecomunicações. Para além disso, também indica o caminho para um novo modelo de negócio que está para 'além' dos produtos, centrando-se em contrapartida nos serviços associados ao modelo de ''software'' FS/OSS nominalmente livre. As indústrias estão-se a transformar gradualmente de modo a incorporarem a inovação gerada pelos utilizadores e uma nova intermediação poderá ocorrer em torno dos media gerados pelos utilizadores. Muitos trabalhadores do conhecimento estão a optar por carreiras profissionais fora das empresas, tornando-se micro-empreendedores através do recurso a uma infra-estrutura participativa cada vez mais sofisticada, uma espécie de ''commons'' empresarial digital.  
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Mais importante que a relação genérica que acabámos de descrever é o facto de que os processos entre pares também contribuírem para formas mais específicas do capitalismo distribuído. A utilização em larga escala do ''software open-source'' nas empresas, entusiasticamente apoiado pelo capital de risco e grandes companhias de Tis como a IBM, está a gerar uma plataforma de ''software'' distribuído que irá reduzir drasticamente os rendimentos monopolistas desfrutados por companhias como a Microsoft e a Oracle, enquanto que a Skype e o VoIP irão redistribuir drasticamente a infra-estrutura de telecomunicações. Para além disso, também indica o caminho para um novo modelo de negócio que está para 'além' dos produtos, centrando-se em contrapartida nos serviços associados ao modelo de ''software'' FS/OS nominalmente livre. As indústrias estão-se a transformar gradualmente de modo a incorporarem a inovação gerada pelos utilizadores e uma nova intermediação poderá ocorrer em torno dos media gerados pelos utilizadores. Muitos trabalhadores do conhecimento estão a optar por carreiras profissionais fora das empresas, tornando-se micro-empreendedores através do recurso a uma infra-estrutura participativa cada vez mais sofisticada, uma espécie de ''commons'' empresarial digital.  
  
 
As entidades com fins lucrativos que estão a desenvolver e a potenciar estas novas plataformas de participação representam uma nova subclasse que eu denomino classe netárquica. Se o capitalismo cognitivo for definido como o primado dos activos intelectuais sobre os activos industriais de capital fixo e, por conseguinte, no recurso ao alargamento dos direitos de propriedade intelectual de forma a gerar rendimentos monopolistas (tal como os capitalistas vectoriais descritos por McKenzie Wark obtêm o seu poder dos vectores mediáticos), então estes novos capitalistas netárquicos prosperam com a constituição e exploração das redes participativas. É sugestivo que a Amazon tenha crescido em torno das críticas efectuadas pelos utilizadores aos produtos que comercializa, que a eBay subsista graças a uma plataforma de leilões distribuídos a nível global e que o Google seja constituído por conteúdos gerados pelos utilizadores. Contudo, embora estas companhias possam recorrer aos direitos de propriedade intelectual para obter ocasionalmente verbas adicionais, estes não são em nenhuma acepção o cerne do seu poder. O seu poder depende da posse da plataforma.  
 
As entidades com fins lucrativos que estão a desenvolver e a potenciar estas novas plataformas de participação representam uma nova subclasse que eu denomino classe netárquica. Se o capitalismo cognitivo for definido como o primado dos activos intelectuais sobre os activos industriais de capital fixo e, por conseguinte, no recurso ao alargamento dos direitos de propriedade intelectual de forma a gerar rendimentos monopolistas (tal como os capitalistas vectoriais descritos por McKenzie Wark obtêm o seu poder dos vectores mediáticos), então estes novos capitalistas netárquicos prosperam com a constituição e exploração das redes participativas. É sugestivo que a Amazon tenha crescido em torno das críticas efectuadas pelos utilizadores aos produtos que comercializa, que a eBay subsista graças a uma plataforma de leilões distribuídos a nível global e que o Google seja constituído por conteúdos gerados pelos utilizadores. Contudo, embora estas companhias possam recorrer aos direitos de propriedade intelectual para obter ocasionalmente verbas adicionais, estes não são em nenhuma acepção o cerne do seu poder. O seu poder depende da posse da plataforma.  

Revision as of 11:54, 18 July 2006