Difference between revisions of "A Economia Política da Produção entre Pares"

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As trocas entre pares podem ser consideradas em termos do mercado apenas na medida em que os indivíduos podem contribuir livremente ou obter o que necessitam, seguindo as suas aptidões individuais, existindo uma mão invisível que aproxima todas as partes mas sem a intervenção de qualquer mecanismo monetário. Elas não são verdadeiros mercados em qualquer sentido real: tanto a fixação de preços pelo mercado como o comando empresarial são desnecessários para a tomada de decisões relativas à distribuição dos recursos. Existem ainda diferenças adicionais:
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As trocas entre pares podem ser consideradas em termos do mercado apenas na medida em que os indivíduos podem contribuir livremente ou obter o que necessitam, seguindo as suas aptidões individuais, existindo uma mão invisível que aproxima todas as partes mas sem a intervenção de qualquer mecanismo monetário. Elas não são verdadeiros mercados em qualquer acepção possível: tanto a fixação de preços pelo mercado como o comando empresarial são desnecessários para a tomada de decisões relativas à distribuição dos recursos. Existem ainda diferenças adicionais:
  
 
   - Os mercados não funcionam segundo os critérios da inteligência colectiva e do holoptismo, mas sim sob a forma de uma inteligência de enxame semelhante à dos insectos. Existem de facto agentes autónomos num ambiente distribuído, mas cada indivíduo apenas tem em conta o seu próprio benefício imediato.  
 
   - Os mercados não funcionam segundo os critérios da inteligência colectiva e do holoptismo, mas sim sob a forma de uma inteligência de enxame semelhante à dos insectos. Existem de facto agentes autónomos num ambiente distribuído, mas cada indivíduo apenas tem em conta o seu próprio benefício imediato.  
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   - Não dão uma resposta adequada a necessidades comuns que não envolvem pagamento directo (defesa nacional, administração geral, educação e saúde pública). Para além disso, não levam em conta externalidades negativas (o ambiente, custos sociais, gerações vindouras).  
 
   - Não dão uma resposta adequada a necessidades comuns que não envolvem pagamento directo (defesa nacional, administração geral, educação e saúde pública). Para além disso, não levam em conta externalidades negativas (o ambiente, custos sociais, gerações vindouras).  
 
   - Dado que os mercados abertos tendem a diminuir o lucro e os salários, eles dão sempre origem a anti-mercados, onde os oligopólios e os monopólios utilizam a sua posição privilegiada de modo a que o estado manipule o mercado em seu benefício.
 
   - Dado que os mercados abertos tendem a diminuir o lucro e os salários, eles dão sempre origem a anti-mercados, onde os oligopólios e os monopólios utilizam a sua posição privilegiada de modo a que o estado manipule o mercado em seu benefício.
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'''O P2P e o Capitalismo'''
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Apesar de apresentarem diferenças significativas, o P2P e o mercado capitalista estão fortemente interligados. O P2P depende do mercado e o mercado depende do P2P.
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A produção entre pares depende fortemente do mercado na medida em que a produção entre pares cria valor de uso sobretudo através de produção imaterial, sem propocionar um rendimento aos seus produtores. Os participantes não podem viver da produção entre pares apesar de retirarem sentido e valor dela, podendo através dela ultrapassar em eficiência e produtividade as alternativas do mercado com fins comerciais. Até agora, a produção entre pares tem se desenvolvido nas fendas do mercado.
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Mas o mercado e o capitalismo também dependem do P2P. O capitalismo tornou-se num sistema que depende de redes distribuídas, em particular, a infra-estrutura P2P de computação e comunicação. A produtividade baseia-se em grande medida no trabalho de equipa, o qual é habitualmente organizado de formas derivadas da autoridade da produção entre pares. O suporte prestado pelas principais empresas de TIs ao desenvolvimento do open-source é uma prova dessa utilização derivada até por parte dos novos regimes proprietários mais comuns. O modelo empresarial genérico parece ser o da empresa deslizar – ''surf'' - por cima da infra-estrutura P2P, criando um valor excedentário através de serviços que podem ser comercializados por um valor de troca.  Contudo, o suporte do ''software'' livre e ''open-source'' prestado pelas empresas coloca um problema interessante. Será que o software FS/OOS patrocionado e, eventualmente, gerido por empresas ainda continua a ser 'P2P'? Apenas em parte. No caso de empregar as estruturas legais GPL/OSI deriva, de facto, em regimes de propriedade comum. Se os produtores iguais se tornarem dependentes do rendimento e, mais ainda, se a produção passar a ser controlada pela hierarquia empresarial, deixa então de poder ser considerado como uma forma de produção entre pares. Deste modo, as forças capitalistas recorrem sobretudo a implementações parciais do P2P. O recurso táctico e instrumental da infra-estrutura e das práticas colaborativas do P2P é apenas uma parte da história. De facto, a dependência do capitalismo contemporâneo do P2P é sistémica. À medida que toda a infra-estrutura de base do capitalismo se torna distribuída, ela gera práticas P2P, tornando-se dependente delas. A escola franco-italiana do 'capitalismo cognitivo' acentua que a criação de valor já não se limita apenas à empresa, passando também a resultar da intelectualidade de massas dos trabalhadores do conhecimento que, através das vivências e aprendizagens adquiridas ao longo da vida, inovam constantemente dentro e fora da empresa. Este é um argumento importante, dado que justificaria aquilo que entendemos constituir a única solução para o alargamento da esfera do P2P à sociedade em geral: o rendimento básico universal. Apenas a independência do trabalho e da infra-estrutura salarial pode garantir que os produtores iguais possam continuar a desenvolver esta esfera de valor de uso altamente produtivo.
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Será que tudo isto significa que a produção entre pares é apenas imanente ao sistema, resultando do capitalismo e de maneira nenhuma transcendente ao capitalismo?

Revision as of 23:03, 17 July 2006