Difference between revisions of "A Economia Política da Produção entre Pares"

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Os Processos P2P:  
 
Os Processos P2P:  
  
produzem valor de uso através da cooperação livre entre produtores que têm acesso a capital distribuído: este é o modo de produção P2P, um 'terceiro modo de produção', diferente da produção com fins lucrativos e da produção pública efectuada por companhias detidas pelo estado. O seu produto não reside num valor de troca destinado ao mercado mas num valor de uso dirigido a uma comunidade de utilizadores.
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- produzem valor de uso através da cooperação livre entre produtores que têm acesso a capital distribuído: este é o modo de produção P2P, um 'terceiro modo de produção', diferente da produção com fins lucrativos e da produção pública efectuada por companhias detidas pelo estado. O seu produto não reside num valor de troca destinado ao mercado mas num valor de uso dirigido a uma comunidade de utilizadores.
são administrados pela comunidade de produtores e não por mecanismos de alocação do mercado ou por uma hierarquia empresarial. Este é o modo de autoridade P2P ou 'terceiro modo de autoridade'.
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- são administrados pela comunidade de produtores e não por mecanismos de alocação do mercado ou por uma hierarquia empresarial. Este é o modo de autoridade P2P ou 'terceiro modo de autoridade'.
disponibilizam livremente o valor de uso segundo um princípio de universalidade, através de novos regimes de propriedade comum. Este é o seu 'modo de propriedade distribuída ou entre pares', diferente da propriedade privada ou da propriedade pública (do estado).  
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- disponibilizam livremente o valor de uso segundo um princípio de universalidade, através de novos regimes de propriedade comum. Este é o seu 'modo de propriedade distribuída ou entre pares', diferente da propriedade privada ou da propriedade pública (do estado).  
  
 
A Infra-estrutura do P2P
 
A Infra-estrutura do P2P
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O segundo requisito consiste em sistemas alternativos de informação e comunicação que permitam a comunicação autónoma entre agentes cooperantes. A Web (em particular, a Writable Web e a Web 2.0 que estão em vias de ser estabelecidas) permitem a produção, disseminação e 'consumo' do material escrito, ao passo que os avanços correlacionados do podcasting e do webcasting criam uma 'infra-estrutura alternativa de informação e comunicação' para a criação áudio e audiovisual. A existência dessa infra-estrutura permite a produção autónoma de conteúdo que pode ser distribuído sem o intermédio dos media clássicos de radiodifusão e publicação impressa (embora possam vir a surgir novas formas de mediação).  
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O segundo requisito consiste em sistemas alternativos de informação e comunicação que permitam a comunicação autónoma entre agentes cooperantes. A Web (em particular, a ''Writable Web'' e a Web 2.0 que estão em vias de ser estabelecidas) permitem a produção, disseminação e 'consumo' do material escrito, ao passo que os avanços correlacionados do ''podcasting'' e do ''webcasting'' criam uma 'infra-estrutura alternativa de informação e comunicação' para a criação áudio e audiovisual. A existência dessa infra-estrutura permite a produção autónoma de conteúdo que pode ser distribuído sem o intermédio dos media clássicos de radiodifusão e publicação impressa (embora possam vir a surgir novas formas de mediação).  
  
O terceiro requisito é a existência de uma infra-estrutura de 'software' destinada à cooperação autónoma global. Um número crescente de ferramentas de colaboração que se inserem no software de redes sociais, como os blogs e as wikis, facilitam a criação de confiança e capital social, permitindo a criação de grupos globais que conseguem criar valor de uso sem o intermédio da produção ou distribuição efectuada por organizações com fins lucrativos.   
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O terceiro requisito é a existência de uma infra-estrutura de '''software''' destinada à cooperação autónoma global. Um número crescente de ferramentas de colaboração que se inserem no ''software'' de redes sociais, como os ''blogs'' e as ''wikis'', facilitam a criação de confiança e capital social, permitindo a criação de grupos globais que conseguem criar valor de uso sem o intermédio da produção ou distribuição efectuada por organizações com fins lucrativos.   
  
O quarto requisito é uma infra-estrutura legal que permita a criação de valor de uso e que o proteja da apropriação privada. A General Public Licence (que proíbe a apropriação do código de software), a análoga Open Source Initiative e certas versões da licença Creative Commons desempenham esta função. Elas possibilitam a protecção do valor de uso comum e empregam métodos virais para se disseminar. A GPL e outras licenças semelhantes só podem ser utilizadas em projectos que, em troca, colocarem o seu código-fonte adaptado no domínio público.  
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O quarto requisito é uma infra-estrutura legal que permita a criação de valor de uso e que o proteja da apropriação privada. A General Public Licence (que proíbe a apropriação do código de ''software''), a análoga Open Source Initiative e certas versões da licença Creative Commons desempenham esta função. Elas possibilitam a protecção do valor de uso comum e empregam métodos virais para se disseminar. A GPL e outras licenças semelhantes só podem ser utilizadas em projectos que, em troca, colocarem o seu código-fonte adaptado no domínio público.  
  
O quinto requisito é cultural. A difusão da intelectualidade de massa (isto é, a distribuição da inteligência humana) e as transformações associadas nas formas de sentir e ser (ontologia), formas de conhecer (epistemologia) e nas constelações de valores têm contribuído para a criação do tipo de individualismo cooperativo necessário para manter um ethos que torne possível os projectos P2P.
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O quinto requisito é cultural. A difusão da intelectualidade de massa (isto é, a distribuição da inteligência humana) e as transformações associadas nas formas de sentir e ser (ontologia), formas de conhecer (epistemologia) e nas constelações de valores têm contribuído para a criação do tipo de individualismo cooperativo necessário para manter um ''ethos'' que torne possível os projectos P2P.
  
 
As Características do P2P
 
As Características do P2P
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Os processos P2P ocorrem em redes distribuídas. As redes distribuídas são redes em que os agentes autónomos podem determinar livremente o seu comportamento e ligações sem o intermédio obrigatório de centros. Tal como Alexander Galloway insiste no seu livro sobre o poder protocolar, as redes distribuídas não são o mesmo que redes descentralizadas, nas quais os centros são obrigatórios. O P2P baseia-se num poder distribuído e no acesso distribuído aos recursos. Numa rede descentralizada como a do sistema de aeroportos dos Estados Unidos, os aviões têm que passar por determinados centros; contudo, em sistemas distribuídos como a internet ou os sistemas de auto-estradas, os centros podem existir mas não são obrigatórios e os agentes podem sempre evitá-los.   
 
Os processos P2P ocorrem em redes distribuídas. As redes distribuídas são redes em que os agentes autónomos podem determinar livremente o seu comportamento e ligações sem o intermédio obrigatório de centros. Tal como Alexander Galloway insiste no seu livro sobre o poder protocolar, as redes distribuídas não são o mesmo que redes descentralizadas, nas quais os centros são obrigatórios. O P2P baseia-se num poder distribuído e no acesso distribuído aos recursos. Numa rede descentralizada como a do sistema de aeroportos dos Estados Unidos, os aviões têm que passar por determinados centros; contudo, em sistemas distribuídos como a internet ou os sistemas de auto-estradas, os centros podem existir mas não são obrigatórios e os agentes podem sempre evitá-los.   
  
Os processos P2P são caracterizados por equipotencialidade ou 'anti-credencialismo'. Isto significa que não existe qualquer selecção a priori de quem pode participar. A capacidade de cooperar é verificada no próprio processo de cooperação. Deste modo, os projectos estão abertos a todos os recém-chegados, desde que eles possuam as competências necessárias para contribuir para um projecto. Estas competências são verificadas e validadas pela comunidade no próprio processo de produção. Isto é vísivel em projectos de publicação aberta como o jornalismo-cidadão: qualquer um pode publicar e verificar a veracidade dos artigos. Na validação colectiva são empregues sistemas de reputação. A filtragem é a posteriori e não a priori. Deve-se por isso contrastar o anti-credencialismo com a revisão anónima - peer review - tradicional onde as referências são um pré-requisito essencial à participação.  
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Os processos P2P são caracterizados por equipotencialidade ou 'anti-credencialismo'. Isto significa que não existe qualquer selecção ''a priori'' de quem pode participar. A capacidade de cooperar é verificada no próprio processo de cooperação. Deste modo, os projectos estão abertos a todos os recém-chegados, desde que eles possuam as competências necessárias para contribuir para um projecto. Estas competências são verificadas e validadas pela comunidade no próprio processo de produção. Isto é vísivel em projectos de publicação aberta como o jornalismo-cidadão: qualquer um pode publicar e verificar a veracidade dos artigos. Na validação colectiva são empregues sistemas de reputação. A filtragem é ''a posteriori'' e não ''a priori''. Deve-se por isso contrastar o anti-credencialismo com a revisão anónima - ''peer review'' - tradicional onde as referências são um pré-requisito essencial à participação.  
  
Os projectos P2P são caracterizados por holoptismo. O holoptismo consiste na capacidade e no design implícitos nos processos entre pares que disponibilizam aos participantes o livre acesso a toda a informação sobre os outros participantes; não em termos de privacidade, mas em termos da sua existência e contributos (isto é, informação horizontal), bem como do acesso aos objectivos, métricas e documentação do projecto como um todo (isto é, a dimensão vertical). Isto pode ser contrastado com o panopticismo, o qual é característico dos projectos hierárquicos: os processos são concebidos para restringir o conhecimento 'total' a uma pequena elite, ao passo que os participantes apenas têm acesso ao que 'precisam saber'. No entanto, nos processos P2P a comunicação não é de cima para baixo e baseada em regras de supervisão estritamente definidas, mas a retroacção - feedback - é sistémica, integrada no protocolo do sistema cooperativo.  
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Os projectos P2P são caracterizados por holoptismo. O holoptismo consiste na capacidade e no ''design'' implícitos nos processos entre pares que disponibilizam aos participantes o livre acesso a toda a informação sobre os outros participantes; não em termos de privacidade, mas em termos da sua existência e contributos (isto é, informação horizontal), bem como do acesso aos objectivos, métricas e documentação do projecto como um todo (isto é, a dimensão vertical). Isto pode ser contrastado com o panopticismo, o qual é característico dos projectos hierárquicos: os processos são concebidos para restringir o conhecimento 'total' a uma pequena elite, ao passo que os participantes apenas têm acesso ao que 'precisam saber'. No entanto, nos processos P2P a comunicação não é de cima para baixo e baseada em regras de supervisão estritamente definidas, mas a retroacção - ''feedback'' - é sistémica, integrada no protocolo do sistema cooperativo.  
  
 
O acima referido não esgota as características da produção entre pares. Em baixo, iremos continuar a nossa investigação destas características no contexto de uma comparação com outros modos de produção existentes.  
 
O acima referido não esgota as características da produção entre pares. Em baixo, iremos continuar a nossa investigação destas características no contexto de uma comparação com outros modos de produção existentes.  
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O quadro conceptual da nossa comparação é a teoria dos Modelos Relacionais do antropólogo Alan Page Fiske, abordada na sua obra principal The Structure of Social Life. O facto de que os modos de produção estão inseridos em relações inter-subjectivas – isto é, caracterizadas pelas suas combinações relacionais particulares – oferece o quadro conceptual necessário para distinguir o P2P. De acordo com Fiske, existem quatro tipos básicos de dinâmicas inter-subjectivas, válidas ao longo do tempo e do espaço, nas suas próprias palavras:
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O quadro conceptual da nossa comparação é a teoria dos Modelos Relacionais do antropólogo Alan Page Fiske, abordada na sua obra principal ''The Structure of Social Life''. O facto de que os modos de produção estão inseridos em relações inter-subjectivas – isto é, caracterizadas pelas suas combinações relacionais particulares – oferece o quadro conceptual necessário para distinguir o P2P. De acordo com Fiske, existem quatro tipos básicos de dinâmicas inter-subjectivas, válidas ao longo do tempo e do espaço, nas suas próprias palavras:
  
 
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"Na maior parte das vezes, as pessoas empregam apenas quatro modelos fundamentais para organizar a maioria dos aspectos em todas as culturas. Estes modelos são a Partilha Comunitária, a Estratificação por Autoridade, a Correspondência por Igualdade e a Fixação de Preços pelo Mercado. A Partilha Comunitária (PC) é uma relação em que as pessoas consideram alguma díade ou grupo como equivalente e indiferenciado em relação ao domínio social em questão. Exemplos disso são pessoas que utilizam um bem comum – ''commons''
  
 
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Nas relações de Correspondência por Igualdade (CI) as pessoas tentam acompanhar o equilíbrio ou a desigualdade entre os participantes e sabem o que seria necessário para restituir o equilíbrio. Demonstrações comuns disso são a alternância por turnos  - ''turn-taking'' ''baby-sitting'' (CI referente à prestação de cuidados a crianças) e a indemnização em géneros (CI referente à reparação de erros). As relações assentes na Fixação de Preços pelo Mercado (FPM) são orientadas para rácios ou taxas socialmente significativas como preços, salários, juros, rendas, dízimos ou análises de custo-benefício. Não é obrigatório que o dinheiro seja o meio e não é necessário que as relações baseadas na FPM sejam egoístas, concorrenciais, maximizadoras ou materialistas – qualquer um dos quatro modelos pode apresentar qualquer uma destas características. As relações do tipo FPM não são necessariamente individualistas; uma família pode ser uma unidade PC ou EA que possui uma empresa que funciona num modo FPM na sua relação com outras empresas. Exemplos disso são as propriedades que podem ser compradas, vendidas ou administradas como capital de investimento (terra ou objectos como FPM), casamentos negociados por contrato ou de forma implícita, em termos de custos e benefícios para os parceiros, prostituição (sexo como FPM), normas burocráticas de eficiência de custos (distribuição de recursos como FPM), juízos utilitaristas sobre o maior bem para o maior número de pessoas ou normas de equidade na atribuição de direitos em proporção com as contribuições (duas formas de moralidade como FPM), avaliações da eficiência do tempo dispendido e estimativas dos rácios de mortos previstos (agressão como FPM)."i  
  
 
Cada tipo de sociedade ou civilização é uma combinação destes quatro modos, mas pode-se argumentar plausivelmente que um modo domina sempre, afectando os outros modos subservientes. Em termos históricos, o primeiro modo dominante foi a reciprocidade por parentesco ou linhagem, as chamadas economias da dádiva tribais. O elemento essencial de ligação era a 'pertença'. As dádivas geravam obrigações e relações para além dos parentes mais próximas, criando um campo mais vasto de troca. As sociedades agrárias ou feudais eram dominadas pela estratificação por autoridade, isto é, baseavam-se na fidelidade. Finalmente, é um facto óbvio de que a economia capitalista é dominada pela fixação de preços pelo mercado.  
 
Cada tipo de sociedade ou civilização é uma combinação destes quatro modos, mas pode-se argumentar plausivelmente que um modo domina sempre, afectando os outros modos subservientes. Em termos históricos, o primeiro modo dominante foi a reciprocidade por parentesco ou linhagem, as chamadas economias da dádiva tribais. O elemento essencial de ligação era a 'pertença'. As dádivas geravam obrigações e relações para além dos parentes mais próximas, criando um campo mais vasto de troca. As sociedades agrárias ou feudais eram dominadas pela estratificação por autoridade, isto é, baseavam-se na fidelidade. Finalmente, é um facto óbvio de que a economia capitalista é dominada pela fixação de preços pelo mercado.  
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O P2P e a Economia da Dádiva  
 
O P2P e a Economia da Dádiva  
  
 
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''peer to peer'' é contemporâneo de novas formas da economia da dádiva como o Local Exchange and Trading Systems - Sistemas de Intercâmbio e Comércio Local - e o recurso a moedas complementares baseadas na reciprocidade; no entanto, estas não podem ser classificadas como produção entre pares.  
  
Isto não quer dizer que estas formas não sejam complementares, dado que tanto a correspondência por igualdade como a partilha comunitária derivam do mesmo espírito da dádiva. A produção entre pares pode ocorrer mais facilmente na esfera dos bens imateriais onde o capital despendido – input -  consiste em tempo livre e no excesso disponível de recursos informáticos. A correspondência por igualdade, os esquemas assentes na reciprocidade e a produção cooperativa são necessárias na esfera material onde o custo do capital intervem. Por agora, a produção entre pares não oferece qualquer solução à subsistência material dos seus participantes. Por isso, muitas pessoas inspiradas pelo ethos igualitário irão recorrer à produção cooperativa, à economia social e outros mecanismos dos quais poderão obter um rendimento, mantendo-se ao mesmo tempo fiéis aos seus princípios. Neste sentido, estes mecanismos são complementares.  
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Isto não quer dizer que estas formas não sejam complementares, dado que tanto a correspondência por igualdade como a partilha comunitária derivam do mesmo espírito da dádiva. A produção entre pares pode ocorrer mais facilmente na esfera dos bens imateriais onde o capital despendido – ''input'' -  consiste em tempo livre e no excesso disponível de recursos informáticos. A correspondência por igualdade, os esquemas assentes na reciprocidade e a produção cooperativa são necessárias na esfera material onde o custo do capital intervem. Por agora, a produção entre pares não oferece qualquer solução à subsistência material dos seus participantes. Por isso, muitas pessoas inspiradas pelo ''ethos'' igualitário irão recorrer à produção cooperativa, à economia social e outros mecanismos dos quais poderão obter um rendimento, mantendo-se ao mesmo tempo fiéis aos seus princípios. Neste sentido, estes mecanismos são complementares.  
  
 
O P2P e a Hierarquia
 
O P2P e a Hierarquia
  
O P2P não se caracteriza pela ausência de uma hierarquia ou estrutura, mas por hierarquias e estruturas flexíveis baseadas no mérito que são empregues para fomentar a participação. A liderança é também 'distribuída'. Na maioria dos casos, os projectos P2P são liderados por um núcleo de fundadores que incorporam os objectivos iniciais do projecto e coordenam o vasto número de indivíduos e micro-equipas que desenvolvem patches – código de correção do software. A sua autoridade e liderança advém do contributo que dão para a concretização do projecto e da sua participação contínua. Se bem que por vezes se afirme que os projectos entre pares consistem em 'ditaduras benevolentes', não devemos esquecer que, uma vez que a cooperação é inteiramente voluntária, a existência duradoura destes projectos baseia-se no consentimento da comunidade de produtores e no 'forking' (isto é, é sempre possível a criação de um novo projecto independente).  
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O P2P não se caracteriza pela ausência de uma hierarquia ou estrutura, mas por hierarquias e estruturas flexíveis baseadas no mérito que são empregues para fomentar a participação. A liderança é também 'distribuída'. Na maioria dos casos, os projectos P2P são liderados por um núcleo de fundadores que incorporam os objectivos iniciais do projecto e coordenam o vasto número de indivíduos e micro-equipas que desenvolvem ''patches'' – código de correção do ''software''. A sua autoridade e liderança advém do contributo que dão para a concretização do projecto e da sua participação contínua. Se bem que por vezes se afirme que os projectos entre pares consistem em 'ditaduras benevolentes', não devemos esquecer que, uma vez que a cooperação é inteiramente voluntária, a existência duradoura destes projectos baseia-se no consentimento da comunidade de produtores e no '''forking''' (isto é, é sempre possível a criação de um novo projecto independente).  
  
 
A relação entre autoridade e participação e a sua evolução histórica foi traçada de  forma bastante apropriada por John Heron:  
 
A relação entre autoridade e participação e a sua evolução histórica foi traçada de  forma bastante apropriada por John Heron:  

Revision as of 22:33, 17 July 2006